Os contos de Lídia Jorge: a ficção breve de uma romancista
Embora seja conhecida sobretudo como romancista, Lídia Jorge construiu também uma obra notável na ficção breve. As três antologias de contos — Marido e Outros Contos (1997), O Belo Adormecido (2003) e Praça de Londres (2008) —, a que se somam as edições separadas de A Instrumentalina e O Conto do Nadador (ambas de 1992), mostram outra faceta da sua escrita: mais concentrada, mais irónica e, muitas vezes, mais ousada formalmente.
Marido e Outros Contos (1997)
O conto que dá título ao volume é um dos textos breves mais célebres da literatura portuguesa contemporânea: a história de um homem cuja vida inteira se resume a uma classificação de obituário, contada com uma ironia que roça a crueldade. O livro confirmou que a brevidade também era território da autora.

O Belo Adormecido (2003) e Praça de Londres (2008)
O Belo Adormecido reúne histórias em que o fantástico irrompe na vida quotidiana, enquanto Praça de Londres explora encontros e desencontros em espaços urbanos — Lisboa, Londres, cidades de passagem. Do conto Miss Beijo, a RTP fez em 2021 uma adaptação televisiva realizada por Miguel Simal.
Por que ler os contos
- São a porta mais curta para conhecer a escrita de Lídia Jorge;
- Reúnem os grandes temas da autora — a condição feminina, a memória, a emigração — em formato concentrado;
- Mostram o domínio da frase e do ritmo que a poesia de O Livro das Tréguas viria confirmar;
- Vários foram adaptados ao teatro, à televisão e ao cinema.
Numa obra que os romances dominam, os contos de Lídia Jorge funcionam como um laboratório: é neles que se vê, em estado puro, a matéria de que são feitos os seus livros maiores.
| Volume | Ano | Notas |
|---|---|---|
| A Instrumentalina / O Conto do Nadador | 1992 | Edições separadas |
| Marido e Outros Contos | 1997 | Inclui o célebre conto «Marido» |
| O Belo Adormecido | 2003 | O fantástico no quotidiano |
| Praça de Londres | 2008 | Contos urbanos; «Miss Beijo» adaptado pela RTP em 2021 |